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Profissão do futuro: empreendedor

 O empreendedorismo é uma opção válida de carreira e não apenas uma solução para a falta de oportunidade

O que Abílio Diniz, Silvio Santos e Samuel Klein têm em comum? Além de empresários de sucesso à frente de grandes organizações, eles têm uma característica que os diferenciam dos demais empresários que tentaram abrir um pequeno negócio: eles sabem realizar. Isso porque são empreendedores.

Durante muito tempo, o empreendedorismo estava associado à criatividade e à ousadia, mas o resultado do empreendimento era relacionado unicamente à sorte. Hoje, o empreendedor é cada vez mais valorizado, não só pela sua visão de futuro, mas porque já se sabe que este profissional tem a capacidade de pôr em prática suas idéias. E esta é uma profissão tão legítima quanto a carreira executiva.

O empreendedorismo é um termo complexo e de vários significados. “Uma boa definição é encarar o empreendedor como uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões”, conceitua Bernardo Leite Moreira, consultor empresarial e diretor geral do Instituto de Desenvolvimento de Empreendedorismo e Inovação Aplicada (IDEIA). “Esta é uma descrição sintética, mas que contempla pontos determinantes do perfil. O empreendedor precisa ter a capacidade de imaginar alternativas, desenvolver oportunidades e, principalmente, realizar, porque, antes de tudo, ele é um profissional que faz”. Por este perfil, o empreendedor tem sido bastante valorizado. “Ele pode ser identificado como o “motor da economia” pela grande influência da sua atuação na inovação, no aproveitamento de oportunidades e pelo próprio desenvolvimento econômico”, identifica Moreira. Momentos de grande competitividade, como o atual, são propícios para o desenvolvimento de empreendedores. Tania Sztamfater, diretora de Operações do Instituto Empreender Endeavor, concorda que o empreendedorismo tem um papel fundamental para o crescimento econômico das nações.

Até bem pouco tempo, os profissionais com perfil empreendedor tinham vida curta nas empresas. Isso acontecia porque elas não estavam preparadas para conviver com esses perfis, que mantêm características diferentes do perfil executivo tradicional. “Os empreendedores buscam resultados tenazmente, mesmo que seja necessário contornar-se as normas internas que, freqüentemente, são burocráticas e funcionam como entraves para o desenvolvimento de novas alternativas”, reconhece Moreira. “Tudo que é novo na organização gera grande ansiedade e insegurança, por isso, o profissional que defende estas ações novas não é muito bem aceito”. Mas com a velocidade das mudanças, as empresas estão descobrindo que estes profissionais podem ser grandes aliados. “Os empreendedores agem como donos, olham o mercado e assumem os riscos, não fazem apenas aquilo mandam fazer”, ressalta Tania. “Uma empresa dinâmica precisa de empreendedores”.

(Continua abaixo)



Escrito por Carol Manciola às 21h58
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Empreendedorismo à brasileira

 

(Continuação do texto acima)

O Brasil está entre os dez primeiros países mais empreendedores do mundo, segundo uma pesquisa realizada pela Global Enterpreneurship Monitor (GEM), que mede o empreendedorismo em 31 países de todos os continentes. Em 2000, o Brasil ficou com a primeira colocação, caindo para a 5ª, em 2001, para a 7ª em 2002 e subindo um ponto (6º lugar) em 2003. A pesquisa GEM é organizada pela Babson College (EUA) e pela London Business School (Inglaterra) e realizada anualmente. No Brasil, a GEM é coordenada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e pelo IBQP (Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Paraná).

A Global Enterpreneurship Monitor tem por objetivo monitorar a dinâmica empreendedora do país, coletando informações que podem orientar e influenciar programas, políticas e ações de instituições de natureza pública ou privada, no sentido de favorecer os micros e pequenos negócios. A novidade é que está aumentando o percentual de abertura de negócios pela percepção de novas oportunidades do que por necessidade. Em 2002, o país havia ficado em primeiro lugar em empreendedorismo por necessidade entre os países pesquisados. Já em 2003, o Brasil apresentou a terceira maior população empreendedora por oportunidade registrada pela pesquisa.

Em 2002, estimava-se que havia no Brasil 14 milhões de empreendedores. Desse total, 56% eram empreendedores por necessidade, ou seja, gente que perdeu o emprego formal, era subempregado ou nem tinha emprego e teve que abrir negócios para sobreviver; e 43% eram empreendedores atentos a novas oportunidades de negócios. Em 2003, o número de empreendedores manteve-se estável. Porém, foi registrado que os empreendedores por necessidade caíram para 43%. Enquanto isso, o percentual de empreendedores por oportunidades passou para 53%, representando uma inversão significativa entre os dois pólos do empreendedorismo no país.

Apesar destes números favoráveis, ainda falta muito para se comemorar. Além do problema do desemprego, que leva as pessoas à atividade empreendedora, ou melhor, autônoma, ainda há enormes entraves burocráticos à atividade. Abrir uma empresa no Brasil pode levar até um ano, enquanto que em países desenvolvidos bastam apenas três dias. Mais do que isso, o empreendedor ainda precisa enfrentar dificuldades para ter acesso ao crédito, altos custos tributários e trabalhistas e encarar a concorrência desleal daqueles que apelam para a informalidade. Por estas razões, 95% das empresas que abrem, fecham em menos de 5 anos. “Empresas que têm empreendedores que acreditam no projeto e elaboram uma estratégia para obter uma vantagem competitiva têm mais chance de sucesso”, acredita Tania. “É disso que o Brasil precisa”.

Mais informações: Endeavor – Telefone: (11) 3167-1311; site: www.endeavor.org.br IDEIA – Instituto de Desenvolvimento de Empreendedorismo e Inovação Aplicada: Telefone: (11) 5548-4668; site: www.empreendermelhor.com.br.  

Aula 11.08.2006



Escrito por Carol Manciola às 21h57
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